Governo e cientistas apresentam medidas para prevenir doenças transmitidas pelo Aedes aegypti
1 de abril de 2016 - 12:00
Pesquisadores e representantes de do governo federal se reuniram, nesta quarta-feira (30), para apresentar as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti e ações de prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças transmitidas pelo inseto. Das inúmeras linhas de atuação, que vão desde aplicação inseticidas e biolarvicidas até o uso de mosquito geneticamente modificado, uma das que mais se discutiu foi o desenvolvimento da vacina contra a dengue.
A Sanofi Pasteur apresentou os resultados dos estudos do medicamento desenvolvido para imunizar a população contra os quatro sorotipos da dengue. A empresa francesa já concluiu a fase de teste clínicos e já recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A diretora Médica da companhia, Lúcia Bricks, ressaltou que o medicamento aguarda apenas o registro de preço para que comece a ser comercializado no Brasil.
“Serão três doses da vacina para o público entre nove e 45 anos de idade. É um medicamento completo que foi testado em 15 países”, afirmou Bricks durante audiência pública da Comissão Mista que analisa a Medida Provisória (MP) 712/2016. “Esta vacina consegue reduzir nove em cada dez casos graves de dengue e evita dois em cada três casos”.
O deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) questionou a representante da Sanofi Pasteur sobre o valor da vacina, que pode ser muito cara e exigir grande logística para aplicação das três doses. A diretora Médica da empresa francesa ressaltou que os recursos investidos na vacina são investimentos e não gastos, “já que ela é uma das estratégias mais eficazes para a prevenção da dengue”.
Paralelo ao desenvolvimento feito pela Sanofi Pasteur, outra vacina está sendo testada pelo Instituto Butantan. De acordo com o diretor de Relações Institucionais do instituto, Marco Antonio Moreira, o medicamento contra a dengue já está na fase três de testes clínicos, o último estágio antes do pedido de registro junto à Anvisa. Ela será aplicada em dose única e deve estar em até um ano e meio.
O Instituto Butantan também faz pesquisas para desenvolver uma vacina contra o Zika vírus, um soro para tratamento das pessoas já infectadas e anticorpos monoclonais contra o Zika vírus, que poderão ser usados no tratamento e no diagnóstico do vírus. Moreira afirmou, no entanto, que o repasse do governo federal, no valor de R$ 300 milhões, para estudos sobre a dengue e o zika vírus estão atrasados.
“Pedimos aqui neste encontro para que possamos trabalhar um pouco desamarrando esses processos. Queremos ter o recurso na hora que ele seja necessário”, disse. Os recursos são compartilhados entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Saúde (MS).
Em nota, o MS informa que “a transferência de recursos será realizada mediante o cumprimento de todos os requisitos e procedimentos legais”. O MCTI e o BNDES não se pronunciaram até a publicação desta reportagem.
Alternativas
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) têm desenvolvido com parceiros alternativas para o controle do Aedes Aegypti. As três principais ferramentas são: o projeto de unidades disseminadoras de larvicidas, o projeto Wolbachia e o inseticida biológico a base de microorganismos.
O projeto de unidade disseminadora é uma tecnologia já usada para fazer com que o mosquito transporte larvicida. De acordo com o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel, ao pousar em locais cobertos com larvicida, o mosquito tem o produto colado em sua pata. O inseto carrega o larvicida para outro criadouro e combate as larvas instaladas. A tecnologia aguarda a aprovação da Anvisa para utilização do método em água potável.
Já o projeto Wolbachia consiste em infectar os mosquitos com a bactéria que dá nome à iniciativa. Após a infecção, os insetos não conseguem transmitir o vírus da dengue. A Fiocruz também desenvolveu o Denguetech, um bioinseticida em forma de pastilhas que deve ser aplicado onde há acúmulo de água para a eliminação de larvas do mosquito da dengue. De acordo com Valcler, o produto é mais eficaz do que os existentes, tem baixo impacto ambiental e é de fácil uso.
“Essas três alternativas devem se associar a qualquer estratégia que se tenha de fazer entradas na casa. Também temos que fazer a população entender o que é o uso dessas tecnologias”, declarou o representante da Fiocruz. “O fundamental de tudo é a mobilização social.” explicou.
A empresa Oxitec Brasil apresentou a eficácia do mosquito geneticamente modificado produzido pela empresa na redução de larvas do mosquito Aedes aegypti. O mosquito transgênico, batizado como Aedes do Bem, possui uma alteração genética que torna seus filhotes estéreis. Antes de chegar à fase adulta, o inseto morre e, quando liberado, o macho de DNA alterado busca a fêmea para fecundação, mas as larvas não se desenvolvem, diminuindo a população de mosquitos, incluindo as fêmeas, que são as responsáveis pela transmissão de doenças por meio das picadas em seres humanos.
“Temos uma solução inovadora que tem resultados exitosos contra esse mosquito. Com o “Aedes do bem” podemos reduzir o mosquito e não simplesmente substituí-lo. Estamos prontos para implantar em grande escala e em qualquer localidade”, disse Glen Slade, representante da Oxitec.
A companhia afirma que o mosquito Aedes aegypti geneticamente modificado solto em um bairro do município de Piracicaba, no interior paulista, reduziu em 82% a quantidade de larvas espalhadas pela região. A tecnologia foi desenvolvida, em 2002, por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Testes iniciados em 2011 na cidade de Juazeiro (BA) mostraram redução acima de 80% na população selvagem de mosquitos.
Alguns experimentos apontaram resultados de 93% de redução do Aedes aegypti que vive na natureza. O uso dos insetos da Oxitec no Brasil foi feito em parceria com a organização Moscamed. No momento, a Oxitec aguarda a autorização da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização do produto.
Fonte: Agência Gestão CT&I)