Ferramentas auxiliam empresas e instituições no processo de domínio tecnológico
9 de março de 2016 - 13:16
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) desenvolveu seis ferramentas para ajudar instituições de pesquisa, públicas ou privadas, e empresas no processo de domínio tecnológico. Elas são capazes de auxiliar as análises de criticidade, maturidade tecnológica, de patentes e outras informações referentes a projetos de desenvolvimento tecnológico.
Todas as ferramentas já estão prontas para uso. Algumas delas foram implementadas por instituições públicas de pesquisa. Elas fazem parte do projeto Observatório de Tecnologias e têm como objetivo apoiar o esforço de dominar tecnologias críticas de interesse nacional e podem ser aplicadas em diversos setores estratégicos.
De acordo com Thyrso Villela, assessor técnico do CGEE, o objetivo das ferramentas é apoiar gestores e tomadores de decisão durante o processo de desenvolvimento de tecnologias. “Queremos evitar que recursos financeiros sejam usados para comprar, no exterior, equipamentos de alto valor que podem ser desenvolvidos no País. Diferentemente do que acontecia há quarenta anos, hoje temos capital humano no Brasil capaz de responder a várias demandas tecnológicas”, avalia.
Uma das ferramentas é a de recursos humanos, que utiliza a base de dados da Plataforma Lattes – sistema de informações sobre os pesquisadores brasileiros – para permitir que o usuário encontre os profissionais que têm experiência em um determinado campo de pesquisa desejado. “Ela monta redes de conhecimento baseadas em coautorias de publicações e similaridade de campos de atuação”, explica Villela. “É capaz de indicar, por exemplo, pessoas que trabalham com determinada tecnologia ou que são especialistas em uma dada área científica ou tecnológica.”
Outra ferramenta desenvolvida é a de análise de criticidade de tecnologias. Para chegar a um produto é necessário entender exatamente quais são as tecnologias que estão envolvidas no projeto. Após o preenchimento de uma planilha com perguntas sobre o elemento tecnológico a ser desenvolvido para determinado projeto, o usuário recebe uma avaliação com o grau de criticidade do elemento tecnológico sob análise, que pode ser não crítico, baixo, médio e alto. Esses graus são utilizados para definir ações que propiciem o domínio tecnológico desses elementos em curto, médio e longo prazos.
“Dependendo do tipo de criticidade é possível implementar ações de domínio tecnológico que vão desde angariar recursos humanos para desenvolver essa tecnologia até prover meios de teste para que ela seja efetivamente desenvolvida”, diz Villela.
Também foi desenvolvida uma aplicação para medir a maturidade tecnológica. Como já existem normas ISO para aferir essa variável, o CGEE – organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – acrescentou a essa métrica informações para explicitar a dependência de fornecedores do exterior ao grau de maturidade da tecnologia.
As duas últimas ferramentas são as de análise e coleta de dados e a de análise de patentes. Elas estão sendo preparadas para serem integradas numa única plataforma. A primeira faz uma busca por informações específicas em noticiários, artigos técnico-científicos entre outros bancos de dados para apontar, por exemplo, tendências de mercado, prováveis disrupturas tecnológicas, novas tecnologias emergindo e possibilidades tecnológicas não exploradas. “Ela pode mostrar soluções não pensadas, que podem baratear o processo de desenvolvimento e acelerar o domínio tecnológico”, garante Thyrso Villela.
A ferramenta de análise de patentes tem como grande diferencial a possibilidade de o usuário fazer download de todo o banco de dados das patentes de um dado domínio tecnológico para fazer uma análise off-line. “Os Estados Unidos e a Europa monitoram quem está procurando por patentes e o quê está sendo analisado. Uma vez que o conteúdo de todo o banco é baixado, o tratamento off-line dessas informações fica restrito às instituições”, explica.
As ferramentas estão sendo apresentadas a instituições públicas e estão disponíveis também para a iniciativa privada. O CGEE já apresentou os desenvolvimentos à Assessoria de Planejamento do Ministério da Defesa (MD).
Fonte: Agência Gestão CT&I