Aparelho auxilia cegos a detectarem obstáculos por meio do som

7 de março de 2016 - 13:32

O Projeto Caminhar de Novo é formado por centenas de pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa do mundo, sob o comando do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, considerado pela revista Scientific American como um dos 20 cientistas mais importantes do mundo. De acordo com ele, a iniciativa conseguiu que 80% dos pacientes com lesão de medula recuperassem algum tipo de função motora, sensorial ou visceral.

“Seguimos os pacientes por dois anos e eles começaram a apresentar recuperação parcial neurológica abaixo do nível da lesão, o que nunca foi relatado em pacientes crônicos com lesão na medula espinal”, disse Nicolelis.

O projeto desenvolveu uma tecnologia de interface cérebro-máquina que permite pessoas com mobilidade restringida – como paraplégicos – a voltar a andar usando a mente para controlar um equipamento externo, que substituiria os membros inferiores. Durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2014, um jovem-adulto paraplégico deu um chute simbólico usando um exoesqueleto do projeto, controlado pela sua atividade cerebral.

O pesquisador questionou a cobertura da imprensa brasileira ao Projeto Caminhar de Novo e relacionou as críticas às suas posições políticas. “Eu tenho uma posição política muito clara desde criança, está nos meus livros, é público, e a minha posição política não agrada certos jornalistas. Se eu fosse contra o governo, eu seria um herói da ciência brasileira. Eu teria coluna, programa de televisão, programa de rádio”, disse.

Nicolelis foi o primeiro brasileiro a ter artigos de capa nas revistas Nature e Science. Ele é membro da Academia de Ciência da França, do Vaticano e da Academia Brasileira de Ciência. Na última década, desenvolveu uma abordagem integrativa no estudo de outros distúrbios neurológicos, incluindo a doença de Parkinson e epilepsia. Atualmente, vários laboratórios de neurociência nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina incorporam seus trabalhos.

Fonte: Agência Gestão CT&I