UFCA discute convivência com o semiárido em seminário internacional

9 de novembro de 2015 - 13:53

O segundo Seminário Internacional de Convivência com o Semiárido reuniu cerca de 250 pesquisadores, técnicos e agricultores no município de Piranhas, sertão de Alagoas, nos dias 29 e 30 de outubro. Professores e estudantes do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional Sustentável (Proder) e do curso de História da Universidade Federal do Cariri participaram do evento.
Foram dois dias de discussões no Centro Xingó sobre as mais diversas questões ligadas ao semiárido nordestino – segurança hídrica, segurança energética, gestão de conhecimento, inclusão e inserção produtiva em regiões semiáridas, entre outros temas. A professora Polliana de Luna Nunes Barreto, diretora de Articulação Institucional e Relações com a Comunidade da UFCA, participou do debate “Desafios da Convivência com o Semiárido no Contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.
Polliana explanou sobre o papel da ciência e da universidade. Assinalou que a mera existência das universidades localizadas no semiárido não efetuariam mudanças sozinhas e defendeu uma aproximação cada vez maior com a comunidade e movimentos sociais. Reafirmou a importância da interdisciplinaridade sobre a perspectiva da sustentabilidade.
Outro ponto citado por Polliana para efetivação de transformações se daria pelas pesquisas sobre o semiárido, uma maneira de pressionar o poder público para concretização dos resultados desses estudos. Ela explicou ainda o papel da UFCA no contexto da sustentabilidade ao focar os objetivos da instituição para o semiárido enfatizando os eixos do ensino, da pesquisa, da extensão e da cultura.
O professor José Ferreira Lima Junior, da Universidade Federal de Campina Grande e Pós-Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação da UFCA, apresentou o Programa em Desenvolvimento Regional Sustentável da UFCA durante o debate “Gestão do Conhecimento em Regiões Semiáridas”.
Ele explicou o processo de fomentação e consolidação das pesquisas relativas ao semiárido a partir do Proder numa abordagem interdisciplinar – “pesquisas antes realizadas apenas nas capitais do País”, disse.
Citou as duas linhas de pesquisa do programa “Ambiente e Desenvolvimento Regional Sustentável”  e “Sociedade, Estado e Desenvolvimento Regional Sustentável”, pontos que dialogam entre as diversas áreas do conhecimento. Os discentes têm formação das mais diversificadas – da economia à agronomia -, o mesmo ocorrendo com os docentes.
O professor Ferreira relacionou uma diversidade de pesquisas defendidas por ex-alunos do Proder nos seus cinco anos de existência, bem como a alta demanda pela procura do mestrado na região – são ofertadas atualmente 20 vagas -, com aumento da procura pelo curso ano a ano.
Percurso Histórico
O seminário foi aberto pelo professor Marcel Bursztyn, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. Ele abordou “A Convivência com o semiárido como Imperativo para a Sustentabilidade”.
Bursztyn fez um longo percurso histórico relacionando capital, trabalho e natureza desde a revolução industrial e a explosão demográfica ocorrida a partir dos XIX – de um bilhão de pessoas pulando para sete bilhões, o que demanda a gerência da escassez e degradação do meio natural.
Com relação ao semiárido nordestino lembrou um ciclo perverso de exploração – desde as coivaras que ainda permanecem nos dias de hoje. “Uma história de queimadas, o mal estar do sertanejo”. Assinalou os longos períodos de seca que tendem a se intensificar nos próximos anos e lembrou Celso Furtado quando afirmou que o semiárido não é para ser objeto de uso intenso e que jamais se transformaria num Israel ou numa Califórnia. Traçou ao final da sua fala o cenário de riscos para o semiárido – secas mais profundas, fragilidade das instituições e o persistente deficit da educação. Riscos que podem ser combatidos com a atuação firme das instituições envolvidas com a região.
O evento promovido pelo Centro Xingó de Convivência com o Semiárido e pelo Instituto Ambiental Brasil Sustentável tem como apoiadores a Universidade Federal do Cariri, Centro de Inovação de Tecnologia para o Desenvolvimento Humano da Universidade Politécnica de Madrid e o Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília.
O comitê gestor do Centro Xingó realiza, ainda, o segundo curso Internacional de Convivência com o Semiárido de dois a sete de novembro. Dois alunos do Proder participarão do curso.
Livro
Durante o Seminário Internacional com o Semiárido foi lançado o livro “Participação, Protagonismo Feminino e Convivência com o Semiárido”, organizado pelas professoras Suely Salgueiro Chacon, Verônica Salgueiro do Nascimento e José Ferreira Lima Júnior.
A obra é resultado de pesquisas de ex-alunos do Proder e tem como fio condutor o protagonismo feminino no semiárido através de políticas públicas, agricultura de base familiar, gestão de recursos hídricos.

Fonte: UFCA