Equipamento portátil acelera o diagnóstico de doenças tropicais

19 de outubro de 2015 - 12:29

De São Paulo (SP) – A doença de Chagas é uma endemia natural de países na América Latina. A enfermidade é gerada por protozoários da família Trypanosoma Cruzi, que parasitam o sangue e os tecidos de seres humanos e animais. Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 12 milhões de pessoas na América Latina possuem a doença. Somente no Brasil, estima-se que esse número seja de 3 milhões. Atualmente, não há vacinas para a enfermidade e ela é identificada por meio de exames sorológico e molecular, que levam entre quatro e seis horas para ficarem prontos.

A necessidade de um procedimento que agrupasse os dois testes foi a principal motivação que uniu um consórcio formado por cinco instituições brasileiras e oito européias. O grupo desenvolveu um equipamento capaz de realizar ambos os procedimentos. “A inovação está em colocar tudo isso em um chip, que faz com a mesma amostra os dois tipos de teste e em menos tempo”, explicou o especialista em C&T da Fiocruz e gerente técnico de projetos de desenvolvimento do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), Alexandre Costa.

Ainda inédito no mundo, o equipamento, que está em fase final de desenvolvimento, precisa de apenas duas horas para apresentar, com precisão, o resultado dos exames. Chamado de PodiTrodi – mesmo nome do consócio -, a tecnologia conta ainda com outro diferencial: a portabilidade. O equipamento, que pesa 1,5 kg, pode ser facilmente deslocado para qualquer lugar.

Segundo Costa, todas estas facilidades proporcionadas pelo equipamento trará mudanças em uma série de conceitos. “Pela agilidade na análise e portabilidade, conseguimos começar com mais rapidez o tratamento do paciente. Desta forma, reduz-se também a necessidade de um hospital público receber pessoas que necessitam destes testes. Eles podem, por exemplo, ser realizados em um posto de saúde”, disse o pesquisador.

No mundo

Apesar de a doença ser natural da América Latina, há registros de pessoas acometidas que vivem no sul dos Estados Unidos e também na Europa. “Estes testes já têm mercado na Espanha”, afirmou Costa. “Há um grande número de emigrantes latinos que acabam levando a doença de Chagas pra lá. Como eles não tem o teste implantado no sistema de doação de sangue, aumentou o número de casos”, completou.

Na opinião do gerente de novos negócios do IBMP, Lucas Nascimento, o PodiTrodi nascerá já para o mercado global e focado em um outro tipo de paciente. “Para outros países, o equipamento funcionará mais como um teste de campo comprobatório. A demanda é mundial.”

Futuro

Neste momento, a doença de Chagas foi escolhida como patologia padrão para a plataforma tecnológica em virtude de uma necessidade brasileira por um diagnóstico integrado. No entanto, para um futuro breve, a dengue deverá integrar o hall de doenças que o equipamento poderá examinar. “O PodiTrodi pode auxiliar no diagnóstico de qualquer doença tropical”, informou Alexandre Costa

Histórico

A cooperação para desenvolvimento do produto começou em 2011. Doi destinado ao projeto 1 milhão de euros da União Europeia e a mesma quantidade disponibilizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Pelo lado brasileiro integram o consórcio o Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi),Fiocruz, Centro de Componenetes em Semicondutores (CCS) e a Universidade Federal do Paraná.

Já os parceiros internacionais são o Instituto Fraunhofer (Alemanha), Cea Leti (França), Teknologian tutkimuskeskus VTT (Finlândia), ST Microelectronics (Itália), Haecker Automotion (Alemanha), Universidade de Aveiro (Portugal), Universidade de Montpellier (França) e Bi.flow Systems (Alemanha).


Fonte:
Agência Gestão CT&I