Construção de futuro para o País pede convicção, coragem e confiança, diz ministro

23 de setembro de 2015 - 12:45

Para Aldo Rebelo, permanência entre as maiores economias exige visão crítica combinada a consciência sobre qualidades. Ele participou do Congresso Brasil Competitivo – 2030: o Brasil que Queremos.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, apontou nesta terça-feira (22) convicção, coragem e confiança como elementos necessários para que o País enfrente seus desafios de longo prazo e construa as condições para manter a posição alcançada no cenário internacional.  Ele participou do Congresso Brasil Competitivo – 2030: o Brasil que Queremos, em São Paulo.

“Temos uma história civilizatória bastante vitoriosa, com alguns estadistas que não ficam a dever aos de nenhum lugar – a começar pelo patriarca da nossa Independência, José Bonifácio – e, ao longo dessa história, alguns momentos sublimes”, afirmou Aldo, no painel “O Brasil pós-ajuste: estratégia de longo prazo”. “Precisamos ter consciência das nossas deformidades, ter visão crítica do País, mas ter consciência das nossas qualidades, das nossas virtudes.”

O titular do MCTI lembrou a condição de sétima maior economia do mundo e destacou que um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta o País em sexto lugar em 2030. “Somos o mais promissor fornecedor de grãos e proteínas”, afirmou, acrescentando a fronteira mineral como outra perspectiva alentadora.

Ele reafirmou que manter esse status exige competitividade, para a qual é indispensável a inovação, com base em ciência e pesquisa. Também reforçou o papel do poder público nesse processo, pela condição de investimento de risco. Nesse sentido, informou que o Ministério está perto de concluir um levantamento sobre as normas constitucionais e infraconstitucionais que regem a atividade inovadora, para retirar os entraves a ela.

“Nós [o Brasil] já tivemos a capacidade de remover outros obstáculos e seremos capazes de remover estes. Com alguma convicção, alguma coragem e alguma confiança no País e no nosso povo”, declarou.

Aldo citou a aprovação da Lei de Biossegurança e a do Código Florestal, em que foi relator – e, num momento histórico bem anterior, as incursões dos bandeirantes –, como exemplos.

O economista Aod Cunha, do BTG Pactual perguntou o que faltava ao País para enfrentar desafios no horizonte, como a questão previdenciária diante do envelhecimento da população: um amadurecimento político, a ser buscado por meio de reforma política, ou a chegada a diagnósticos corretos e consensuais. O ministro manifestou dúvida sobre o caminho institucional para isso e ponderou que será preciso promover discussões amplas. “O ajuste que estamos vivendo é uma parte do que é necessário. Depois vamos ter que nos confrontar com um debate muito mais profundo e com perspectivas muito mais duradouras”, afirmou.

Visão estratégica

Para o presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo (MBC, promotor do evento), Jorge Gerdau, os esforços em combater a inflação, nos últimos 20 anos, sacrificaram a oportunidade de exercer a visão estratégica para o desenvolvimento. “Passa por educação, pesquisa, políticas financeiras, mercado de capitais”, listou, apontando.

O empresário defendeu a necessidade do ajuste fiscal e apontou duas prioridades para o crescimento sólido: investimento maciço em infraestrutura e retomada da competitividade da indústria.

O ex-ministro e conselheiro da BRF Luiz Fernando Furlan analisou que “há consenso sobre o que é estratégico, convergência sobre o que é importante, mas a agenda que anda é a do urgente”. Ele pontuou que o século 21 “é o século da economia verde, sustentável”.

Segundo avaliou, as soluções técnicas para os problemas existem, a complexidade está nas condições políticas para implementá-las. “A rapidez com que o mundo se movimenta é, possivelmente, nosso maior desafio”, disse.

No encontro, foram realizados dois outros painéis – “Investimentos: setores público e privado juntos pelo desenvolvimento local” e “A reforma do Estado brasileiro como fomento ao desenvolvimento” –, com governadores, líderes empresariais e economistas.

Fonte: MCTI