Governo aposta em transferência de tecnologia para entrar no mercado de satélites

17 de setembro de 2015 - 13:01

Entrar no clube exclusivo de países que detém o conhecimento para desenvolver satélites é o objetivo de todos os países que buscam aumentar balança comercial. Por ano, as transações neste setor geram bilhões de dólares em desenvolvimento, comercialização e aluguel de dispositivos. Contudo, fazer parte deste seleto grupo não é fácil. Para manter possíveis clientes, as nações que dominam o conhecimento se recusam a repassá-lo a outros países.

Aprender, do zero, a construir peças fundamentais para satélite é algo árduo e que demanda muitos esforços financeiros. A solução mais simples é contratar companhias internacionais para construir o equipamento e garantir que haja a transferência de tecnologia. Esse é o modelo do contrato para aquisição do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

Em 2013, a Visiona Tecnologia Espacial (joint-venture entre a Embraer e a Telebras), a Agência Espacial Brasileira (AEB), e as empresas francesas Thales Alenia Space e Ariane Space assinaram um acordo para a construção do SDGC. O dispositivo servirá para aumentar o acesso à banda larga nos rincões do Brasil e também será utilizado para a troca de informações das forças armadas. A transferência de tecnologia e conhecimento será fundamental para capacitar e fomentar a indústria de defesa brasileira.

Nesta terça-feira (15), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, em conjunto com o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Fernandes, e representantes da AEB lançaram um edital de subvenção econômica no valor R$ 53 milhões voltado para a transferência de conhecimento de cada tecnologia do SGDC para as empresas nacionais.

“É do interesse do Brasil alcançar uma posição compatível com suas legítimas ambições de mercado. Esse edital reafirma a nosso interesse, a nossa ousadia, especialmente por tratar do acúmulo de conhecimento, que nos permitirá entrar em um setor que é muito próspero e diferenciado”, destacou o ministro Aldo na apresentação da chamada pública.

A Thales ficou responsável pelo fornecimento do satélite, e a Arianespace, pelo lançamento do equipamento. Os contratos com os fornecedores previram a transferência de tecnologia para empresas brasileiras, sob a coordenação da AEB, o que será feito a partir do edital lançado. O SGDC está sendo construído na França, sob supervisão da Visiona.

Os recursos da chamada pública, oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), apoiarão propostas para intercâmbio de conhecimento nas seguintes áreas: Subsistema de Propulsão (R$11 milhões); Subsistema de Potência e Painéis Solares (R$ 5 milhões); Subsistema de Controle Térmico: Engenharia de Sistemas e Qualificação de Interfaces (R$ 2,2 milhões); Tecnologia de cargas úteis ópticas de observação: Pacotes de trabalho 1 e 1 (R$ 30 milhões); Estruturas mecânicas para cargas úteis de observação da Terra à base de fibra de carbono (R$4 milhões); Tecnologia de componentes FPGA; e ASIC para aplicações embarcadas (R$ 800 mil).

O edital é destinado a empresas brasileiras com experiência no mercado aeroespacial nacional. Segundo o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Petrônio de Sousa, a medida visa qualificar o processo seletivo e evitar a participação de entidades não comprometidas com a área.

“Entendemos esta iniciativa como uma oportunidade de melhoria para estas companhias. Não desejamos [ter a participação] de empresas que pense na subvenção econômica para aí começar a pensar no assunto. Elas não terão infraestrutura, atividades pregressas e equipe técnica para se capacitar”, ressaltou Petrônio de Sousa.

O diretor lembrou que o principal objetivo com a absorção de conhecimento é transformar as empresas vencedoras do edital em fornecedoras de tecnologias para atender demandas internas e externas. “Queremos empresas que possam fabricar peças para satélites brasileiros e que também tenham capacidade de exportar componentes. Esta é uma situação real em virtude de estarem expostas a um processo produtivo em nível internacional”, observou o dirigente.

O edital completo deverá ser publicado nos sites do MCTI, da Finep e da AEB nos próximos dias.

Fonte: Agência Gestâo CT&I