Desafios para a implantação de ônibus a hidrogênio são debatidos na Finep

3 de setembro de 2015 - 12:43

O Brasil é o primeiro país da América Latina a ter uma frota movida a células de hidrogênio. A financiadora, que apoia o projeto, realizou seminário sobre os resultados e as próximas metas.

Em junho, o Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a possuir uma frota de ônibus movida a células de hidrogênio. O projeto, que representa o ponto de partida para o desenvolvimento de uma solução mais limpa para o transporte público urbano, contou com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI) em sua execução. Para debater os resultados alcançados e os desafios futuros da iniciativa, a financiadora realizou o seminário Ônibus a Célula a Combustível Hidrogênio para Transporte Urbano no Brasil.

Durante o encontro, o analista Laercio de Serqueira, do Departamento de Apoio a Sistemas de Inovação da Finep, ressaltou a importância da participação da agência em um empreendimento desta natureza. “Embora o ônibus a hidrogênio ainda seja economicamente inviável enquanto modelo de negócio, precisamos estar sempre pensando à frente”, destacou Serqueira, na segunda-feira (31).

O Projeto Ônibus Brasileiro a Hidrogênio consistiu na aquisição, operação e manutenção de quatro ônibus com célula a combustível a hidrogênio. A proposta incluiu também a construção de uma estação de produção da substância para o abastecimento dos veículos. Além de não emitir poluentes, esse tipo de ônibus devolve vapor d’água para a atmosfera, deixando o ar mais limpo.

Segundo o gerente de Planejamento da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), Ivan Regina, a iniciativa conseguiu nacionalizar diversos componentes desses veículos – cerca de 60% deles são nacionais. “Introduzimos uma tecnologia de tração inovadora no Brasil. Outro ponto positivo foi o menor custo de produção que alcançamos em comparação aos ônibus similares que são feitos em outros países”, frisou, acrescentando que a empresa trabalha com a meta, para o futuro, de uma frota de 20 ônibus a hidrogênio, capazes de transportar 1 bilhão de pessoas em 15 anos. Atualmente, apenas a Alemanha, os Estados Unidos e o Canadá dominam essa tecnologia.
De acordo com Regina, já existe um acordo com o Governo de São Paulo para reduzir a poluição de 100 para 30% até 2022: “Os operadores terão que fazer essa redução progressivamente”. Segundo ele, a EMTU firmou recentemente convênios com a Universidade de São Paulo (USP) para quantificar os malefícios da poluição ambiental por meio do Instituto de Astronomia e Geofísica da universidade. “Já o Instituto de Medicina irá medir os índices que afetam a saúde pública”, concluiu.

André Queiroz, da BR Petrobras, falou sobre a estação de produção e abastecimento de hidrogênio instalada em São Bernardo do Campo (SP), a primeira da América do Sul. “O Brasil tem a oportunidade de ser protagonista”, disse. A estação, que está em fase de testes, terá uma operação livre de emissões de gás carbônico, segura e não poluente. Leia mais.

 

Fonte: MCTI