Programa vai selecionar até 15 startups brasileiras para serem capacitadas no Reino Unido
26 de agosto de 2015 - 12:55
Cabo de Santo Agostinho (PE) – Um dos principais parceiros comerciais do Brasil, o Reino unido será a porta de entrada para até 15 startups brasileiras se capacitarem nas condições daquele país e da Europa, em busca de inserção internacional futura. A parceria, anunciada nesta terça-feira (25) por representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do governo britânico, está inserida no programa InovAtiva Brasil.
A empreitada está, atualmente, na segunda fase da etapa de 2015, na qual as companhias de base tecnológica e empreendedores classificados passam por capacitação com mentores e especialistas em empreendedorismo. Do total xx startups selecionadas, até cem serão preparadas e conectadas com investidores, grandes empresas e instrumentos públicos de apoio. A estas, se juntarão 95 finalistas dos dois primeiros editais do InovAtiva que não foram selecionados para programas de internacionalização.
Após nova triagem, trinta candidatas serão definidas pela avaliação de um comitê britânico, que vai escolher as quinze que melhor se encaixam às características pretendidas pelo Reino Unido. Serão priorizadas cinco áreas temáticas: tecnologia da informação (TI), desenvolvimento sustentável, saúde, defesa e indústria criativa.
“Nosso objetivo maior é que as startups capacitadas pelo programa nasçam globais. O critério de seleção é bem rigoroso, porque tomamos muito cuidado de escolher startups que tenham um nível mínimo de maturidade para interagir com nossos mentores, que são de alto nível”, afirmou o secretário de Inovação do MDIC, Marcos Vinícius de Souza.
O gerente-executivo do Centro Internacional de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e diretor da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Filipe Cassapo, reforçou a importância de as empresas brasileiras se inserirem nas cadeias globais de valor, até para reverter uma tendência natural de desenvolvimento de seus produtos e serviços voltados, basicamente, para o mercado interno.
“Um grande gargalo que precisamos vencer é que as nossas startups não nascem com espírito global. O processo de mentoria é feito para transformar as empresas em companhias globais. Isto fará com elas se integrem a uma plataforma global e possam exportar esses produtos e serviços para o mundo todo”, ressaltou o especialista.
Valores
O governo britânico vai investir 150 mil libras na ação, que tem validadade para este edital. Os recursos são oriundos do Fundo de Prosperidade do Ministério de Relações Exteriores britânico. A contrapartida brasileira é o investimento no próprio InovAtiva, que somou R$ 7 milhões nos três editais publicados até aqui. O valor específico de 2015 não foi divulgado.
A parceria com o Reino Unido, chamada UK Chapter, segue os mesmos moldes do primeiro edital do programa, no qual 20 startups foram levadas para apreenderem conhecimentos e técnicas no Vale do Silício, a Meca do empreendedorismo tecnológico mundial. As empresas brasileiras vão à Grã-Bretanha no início de 2016 para a missão de prospecção na região.
Estratégico
O lado britânico também vê com bons olhos a ida de companhias de base tecnológicas brasileiras para aprenderem mais em solo europeu. A sinergia dos anseios de ambas as nações é um ponto destacado pela conselheira econômica da Embaixada do Reino Unido no Brasil, Catherine Barber.
“O Brasil quer que suas empresas ganhem o mercado internacional e nós queremos diversificar nosso mercado com produtos e serviços de alta qualidade e que são inovadores. O UK Chapter pretende conectar a demanda britânica com a oferta brasileira.
Outro fator ressaltado foi a possibilidade de penetração em blocos econômicos de outros continentes. O Brasil ganha uma porta de entrada na União Europeia, enquanto os britânicos têm condições de acessar os mercados do Mercosul. “Muitas empresas do Reino Unido se instalam aqui para se expandirem para o Mercosul. E as empresas brasileiras vão poder vender seus produtos e serviços para a Europa com essa parceria”, reforçou Catherine Barber.
Próximos anos
A ideia do MDIC é ampliar o número de países parceiros para que as startups e empreendedores tecnológicos brasileiros possam se inserir internacionalmente. Contudo, há requisitos mínimos a serem atendidos para que o Brasil possa enviar os recursos humanos para o exterior, como ressaltou Marcos Vinícius de Souza. Assim, o número de candidatos é limitado.
“São poucos países que têm capacidade de mercado, que têm capacidade de inovação de receber essas empresas [do InovAtiva Brasil]”, frisou o representante do MDIC. “A partir do momento em que damos a opção de vários países, as próprias startups podem escolher qual nação se adequa melhor com a sua realidade”, completou.
Atualmente, há conversas com três países para receberem novas etapas de internacionalização de empresas de base tecnológica do InovAtiva Brasil, mas os nomes são mantidos em sigilo pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, uma vez que as negociações são feitas com outros governos.
Fonte: Agência Gestão CT&I