Conferência – Brasil precisa investir mais em inovação
21 de junho de 2011 - 11:53
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercante, disse em fortaleza que o governo não pode simplesmente aceitar o investimento externo sem discutir transferência de tecnologia, sem discutir pesquisa e desenvolvimento
Mudança de atitude e criação de uma cultura da inovação. Nessa defesa o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que o Brasil não pode simplesmente aceitar investimento externo sem discutir transferência de tecnologia e investimento em pesquisa e desenvolvimento. Para ele, o Brasil hoje tem mercado interno para negociar e tem que buscar um posicionamento mais ofensivo em relação a transferência de ciência e tecnologia. Ele também defendeu que a riqueza do pré-sal seja destinada prioritariamente às áreas de educação, ciência e tecnologia e inovação.
Falando na abertura do VII Seminário de Gestão da Inovação Tecnológica no Nordeste (Inova 2011) e a XI Conferência Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas de Inovação (Anpei), que prosseguem até amanhã no Centro de Convenções de Fortaleza, destacou que em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai criar uma empresa nos moldes da Embrapa, que daria vazão à busca de soluções para as demandas das médias e pequenas empresas.
“Seria um centro de excelência de projetos para atender à demanda da indústria. Nós estamos chamando de Embrapi – a Embrapa da indústria”, adiantou Mercadante, acrescentando que até o fim de agosto já terá um desenho jurídico e vai começar a ver o financiamento para essa proposta.
O ministro disse que a MCT está trabalhando fortemente para criar novos fundos setoriais e principalmente para que os setores mais importantes da nossa indústria de serviço como área de computação, indústria automobilística, mineração e para que haja mais pesquisa e desenvolvimento e mais conteúdo nacional.
Destaca que a Finep deve ser um banco de inovação. “Este ano, nós esperamos alavancar o volume de crédito com mais R$ 2 bilhões”. O orçamento atual da Finep é de R$ 5 bilhões. Mercadante também falou na discussão sobre uma nova política industrial para o Brasil.
Ressaltou que um dos focos centrais dessa política industrial é dar mais conteúdo local, mais processo produtivo básico e vincular os incentivos fiscais e crédito para quem produz no Brasil e para quem investe em pesquisa e desenvolvimento no País.
Para ele, a política industrial é dos instrumentos para defender mais mercado brasileiro. “O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) está criando um grupo de inteligência para enfrentar o problema do dumping, para exigir mais conteúdo local mais pesquisa e desenvolvimento e para vincular o finaciamento público e o incentivo fiscal a essa meta estratégica”, reforçou.
De acordo com o ministro, a Foxxconn, montará o iPad, da Apple, usará 20% de componentes brasileiros para fabricar a tela do produto este ano. Nos próximos anos, serão 80% dos componentes nacionais no iPad, de acordo com Aloizio Mercadante. Em troca, a empresa tem isenção total do PIS/Cofins, cuja alíquota atual é de 9,25%, e redução do IPI de 15% para 3%, além da redução do ICMS que varia entre os estados da União.
Com a medida, o Ministério da Ciência e Tecnologia pretende aumentar a participação de produtos de média e alta tecnologia na pauta de exportação do Brasil. “Quem quiser isenção vai ter que ter conteúdo nacional e tem que investir em pesquisa e desenvolvimento”, resumiu o ministro. O orçamento do Ministério em torno de R$ 6,5 bilhões. Para Mercadante o Brasil não pode aceitar simplesmente a ideia de crescimento das importações como elas estão acontecendo.
Como
ENTENDA A NOTÍCIA
A XI Anapei discute o cenário da inovação mundial e seus reflexos. O evento reúne até quarta-feira cerca de 1,5 mil participantes da comunidade de inovação do País e Exterior. O Brasil ocupa, hoje, o sétimo lugar do mundo no setor.
Cresce o Volume de investimentos no Ceará
Os investimentos da Financiadora de Estudose Projetos (Finep) vem crescendo no Ceará que tem presença expressivana inovação brasileira.
Na área de subvenção passaram de R$9 milhões para R$ 10 milhões e na área do crédito são R$ 15 milhõesdestinados a empresas do Estado. Na linha não reembolsável parauniversidades e centros de pesquisa chega a quase R$ 19 milhões emprojetos diretamente ligados à Finep.
Segundo o presidente dainstituição, Glauco Arbix, no cenário do Nordeste, o Ceará disputa emcondições bastante competitivas com Pernambuco e Bahia porque a demandapor inovação cresce a cada ano na região. O orçamento da Finep paraeste ano R$ 5 bilhões podendo vir a ganhar mais R$ 2 bilhões este anoaté o final do ano.
Segundo Arbix, cerca de 60% dessesrecursos vão para as universidades e centros de pesquisa e cerca de 40%vão para as empresas.São três as linhas de financiamento crédito,transferência para as universidades e o que é transferido para asempresas sem retorno mas com a contrapartida que se chama subvençãoeconômica.
O presidente da Finep destaca que pela primeiravez na história, apesar de uma certa retração e desaquecimento daeconomia em função das medidas do governo para conter a inflação, ademanda está muito aquecida por inovação na instituição. “Geralmente emtempos de retração a primeira coisa que se corta é o investimento eminovação e dessa vez tudo indica que as coisas estão um poucodiferentes, o que significa um grau maior de maturidade da indústria”,completa.
Na opinião de Arbix, investir em inovação é caro,arriscado, se tem uma incerteza muito grande e mesmo quando temretorno, é baixo, se comparado com outros países.
Fonte: Jornal O Povo
Editoria: Economia
Data: 21/06/2011