Cobertura FdC3: Fake news em saúde é debate na Feira de Soluções para a Saúde

18 de outubro de 2019 - 15:06 # # #

O segundo dia da Feira de Soluções para a Saúde, em Fortaleza, abriu espaço na tarde desta quinta-feira para a Comunicação – mais especialmente para a Comunicação em Saúde. E o tema abordado foram as propaladas falsas informações, ou fake news, como o fenômeno tem se popularizado. Coordenado pela Assessoria de Comunicação (Ascom) da Fiocruz Brasília, o painel Desinformação: como as fake news afetam a saúde. Subsídios para a atuação de gestores, profissionais da saúde e usuários do SUS, reuniu profissionais e estudantes de formações diversas e interessados em compreender como reconhecer e lidar com as falsas informações.

Para isso, o coordenador da Ascom, Wagner Vasconcelos, fez uma apresentação que buscou, inicialmente, conceituar o que se tem estudado como fake news. Elas podem variar desde informações completamente erradas a informações parcialmente erradas, e até mesmo a informações verdadeiras mas colocadas em contextos distintos. Mostrou que não se trata de um fenômeno novo, nem da modernidade. Muito pelo contrário, Vasconcelos explicou que as falsas informações sempre existiram. “A novidade, agora, é a velocidade com que elas se propagam (em especial devido ao uso das tecnologias da informação e da comunicação) e a intensidade das consequências que geram, exatamente por causa de sua rápida difusão”, disse.

O painelista explicou que muitas podem ser as causas das falsas informações. Uma delas é o fenômeno conhecido por pós-verdade,  caracterizado pelo fato de o apelo às emoções ser muito mais significativo para a construção das ideias do que os fatos objetivos. Relembrando o que estudiosos do assunto têm discutido, Vasconcelos disse que as pessoas também tendem a “acreditar naquilo que gostam e a gostar daquilo que acreditam”. “Assim, as informações recebidas de parentes, amigos ou mesmo colegas de trabalho ganham mais credibilidade do que muitas vezes informações embasadas em pesquisas científicas”.

As mídias sociais, de acordo com Vasconcelos, são terreno fértil para a disseminação de falsas informações. Por isso, em sua apresentação, ele mostrou as muitas faces que essas informações assumem. As chamadas fake news podem ser sátiras e paródias, que não têm a intenção de enganar ou manipular as pessoas, porque são declaradamente conteúdos de humor baseados ou não em fatos reais. Já as falsas informações difundidas para ludibriar as pessoas podem se dar como “fabricação, publicidade, propaganda e manipulação”. Cada uma delas tem características diferentes mas, em comum, buscam distorcer a realidade e criar narrativas destinadas a atender a interesses diversos, que não a busca da verdade.

O coordenador da Ascom apresentou o que chamou de “sete passos” para as pessoas aprenderem a lidar com as falsas informações. O primeiro deles seria ler todo o conteúdo das informações que se recebe. Isso porque, muitas vezes, as pessoas apenas leem os títulos e as repassam sem observar se o conteúdo corresponde ao título dado. Também orientou quanto à consistência das informações apresentadas, as fontes dessas informações e as datas em que foram geradas.  As imagens difundidas também devem ser observadas com atenção, porque podem não guardar qualquer relação com a informação dada, prestando-se, apenas, a reforçar narrativas inverídicas. Destacou ainda, o tom alarmista a que os produtores das falsas informações geralmente recorrem, para chamar a atenção do público.

A boa notícia, segundo o apresentador, é que a sociedade já dispõe de mecanismos capazes de ajudar na verificação do conteúdo das informações. Assim, citou três iniciativas (dos setores público e privado e do terceiro setor) que podem ajudar nessa missão. Seriam: o site do Ministério da Saúde (que até possui um número de whatsapp para tirar dúvidas quanto à veracidade das informações), o blog boatos.org e a iniciativa Fato ou Fake, do maior grupo de comunicação do país. Nesses canais, as pessoas podem conferir se as informações que recebem são verdadeiras. Por fim, antes das perguntas da plateia, o painelista falou sobre a responsabilidade de cada uma das pessoas no sentido de evitar ou estimular a difusão de falsas informações, assegurando-se da veracidade de cada uma delas antes de as repassar.

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Fonte: Assessoria de Comunicação da Fiocruz