Ariosto Holanda: a história de sucesso de um visionário da ciência e tecnologia do Ceará
27 de março de 2026 - 15:49

À frente da Secitece em diferentes períodos entre 1995 e 2002, o dirigente teve papel fundamental na consolidação de políticas de CT&I, deixando um legado de compromisso com o desenvolvimento do estado
Com décadas de dedicação à vida pública, Ariosto Holanda ajudou a abrir portas que até hoje permanecem abertas, possibilitando o fortalecimento da ciência e da tecnologia no Ceará e no Brasil, já que boa parte de suas contribuições foram seguidas em outros estados. O limoeirense tinha 87 anos, e morreu no último sábado (21), em Fortaleza, deixando um legado significativo para o desenvolvimento econômico, social e científico.
Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará, era professor aposentado do Centro de Tecnologia da instituição, onde lecionou nas décadas de 1960 e 1970. Foi nessa passagem pela UFC em que contribuiu diretamente na fundação do Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), em 1978. A instituição é voltada à pesquisa aplicada, à inovação e ao apoio tecnológico à indústria. Em 2006, o Nutec foi qualificado como Agência Executiva, fortalecendo seu papel como referência em pesquisa, inovação e assistência tecnológica.
Este era apenas o começo da trajetória de um homem visionário, que fazia sempre questão de propor, nos meios acadêmico e político, o papel central que a pesquisa, a ciência e a tecnologia teriam para um futuro próspero. Hoje, o Nutec é vinculado à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece), em que foi titular entre os anos de 1995 e 2002.
Foco na qualificação dos cearenses
Durante sua gestão na Secitece, Ariosto criou os Centros de Ensino Tecnológico (Centecs), com o objetivo de oferecer educação em áreas cruciais para o desenvolvimento do interior do Estado. Foi inaugurado com os cursos pioneiros de Tecnologia de Alimentos, Eletromecânica e Recursos Hídricos, com especial ênfase em Saneamento Ambiental. Chamados pelo próprio Ariosto de “Fábrica de Cérebros”, atualmente os centros permanecem como grandes impulsionadores do desenvolvimento cearense.
Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) também surgiram entre o final dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, num momento em que a digitalização já começava a mostrar sua potência como motor da evolução e da inovação. Os CVTs promovem educação profissional, extensão tecnológica e inovação por meio da realização de cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC).
A estrutura dispõe de laboratórios, bibliotecas e outros espaços para as comunidades, além de promoverem parcerias institucionais para ampliar o alcance de suas ações. Um dos diferenciais é a relação com diversos programas e projetos do Governo do Ceará que oferecem oportunidades ao povo cearense em diversas áreas, com foco nas demandas regionais.
Em 2023, quando da comemoração dos 30 anos da Secitece, Ariosto foi um dos homenageados por suas realizações enquanto dirigente da pasta.
Atuação parlamentar
Por sete vezes foi eleito Deputado Federal, e no Congresso sempre teve a ciência e a tecnologia como prioridades. Entre diversas proposições, foi autor do Projeto de Lei 2177/2011 que Institui o Código Nacional de Ciência,Tecnologia e Inovação. Em 2016 o projeto foi transformado em Lei Ordinária, aprimorando as medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação tecnológica, ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional do País.
As entregas concretas durante sua vida marcam o crescimento do Ceará como um estado dinâmico e potente na geração de conhecimento e tecnologia. Não há dúvidas de que, pelo caminho desenhado por Ariosto, muitos ainda irão trilhar jornadas de sucesso.